Mystical Tales Shard

Os elfos selvagens – Parte 4

Os elfos selvagens procuraram outro lugar para viver no começo, foram expulsos categoricamente da fronteira de cada Reino humano, porém em meio a toda aquela desgraça descobriram um lugar onde poderiam viver, sob o Reino de Belsand os elfos ainda eram “bem-vindos”, não podiam construir uma cidade, nem uma vila, mas podiam improvisar abrigos nas florestas, caçar nos arredores, utilizar as minas abandonadas de Belsand que apesar de pobres ainda possuíam algum minério, em ocasiões até tinham a oportunidade de negociar com mercadores Belsanitas, trocar sua caça e seus artefatos.

Porém a vida nas florestas não era fácil como parecia, muitos se distanciaram do povo e passaram a viver somente do que tinham e podiam retirar da terra, se armaram com armas simples, plantaram em pequenos espaços e caçaram monstros e criaturas malignas que viviam por todos os locais, assim muitos e muitos anos se passaram, com a comunicação e a cultura ficando escassa.

Porém a união voltou quase 100 anos depois, um dia em uma das florestas onde viviam diversos elfos guerreiros uma pedra caiu da montanha ao lado durante a noite, com a queda dessa pedra abriu-se um túnel na montanha, de onde saiu um jovem drow provavelmente decepcionado por não ter encontrado um novo túnel. Muitos dos elfos deram um passo atrás, outros ergueram seus arcos porém sua mira era tremula, estavam acostumados com a caça mas não com o combate, e o Drow sentiu o cheiro do medo, ergueu sua lamina negra e decidiu que seria uma noite para presentear Lolth.

Flechas zuniram em falso no ar, alguns eldas caíram diante do ataque daquele único inimigo, até o momento em que o bastão de um velho caçador aparou um golpe em meio a clareira, ali começara o combate que mudaria a natureza dos elfos mais uma vez, o velho caçador era Galador, um elfo alto e forte, marcado por grandes caças e acima de tudo, marcado por uma sabedoria única.

O combate se estendeu por minutos que pareceram horas, no centro da clareira um jovem e bem equipado Drow enfrentava o velho Galador, que aparava os movimentos com calma e esperava o momento de atacar, a ponta de madeira do bastão sempre à frente da batalha, mantendo a distância do combate e deixando o controle de Galador em destaque, até que em um simples movimento o bastão girou e a ponta firme de madeira foi trocada pela ponta de lança, que perfurou em um golpe o pescoço do inimigo, despejando sangue por toda a clareira, sangue e calor, adrenalina e coragem para todos aqueles que estavam observando, naquele momento Galador se tornou Toron Galador.

Galador falara sobre muitas coisas das quais raramente ouvíamos. Falava sobre como todas as raças surgiram, da origem comum dos povos.  Era sóbrio quanto ao passado, quanto aos erros que nos trouxeram até aqui e como o orgulho fora a ruína dos toroni.  Falava da harmonia entre as criaturas, histórias sobre os como entender os ensinamentos dos deuses e como tornar-se um com a terra que habitávamos pois havíamos nos acostumado demais a viver em cidades fechadas e em meio à proteção humana. Isso não era bom, fizera dos toroni mais fracos.

Galador nos contou sobre Lyria e Aranrosse, ele evitava falar de nossos ancestrais e com o tempo nós paramos de tocar no assunto também.

Decidimos que reescreveríamos nossa história. Um recomeço, superando o passado. Esperávamos que nossos filhos não cometessem os erros de nossos ancestrais, que não sonhassem alto demais.

Nossos filhos devem aprender sobre os deuses. Em tempos difíceis, como o que vivemos, aprendemos a seguir a Alkron. O senhor das batalhas olha por nós. Batalhas custaram a vida de muitos eldar mas nossa bravura em combate foi recompensada com a graça de viver um dia a mais, viver para uma próxima batalha.

Galador ficara quieto a certa altura da noite, parecia incomodado, pôs-se a falar uma vez mais e de fato algo que não era dito com frequência. Tratara agora daqueles da escuridão, os drow.

A aparição de tal aberração sobre a terra chamara a atenção de toroni, nosso reencontro parecia traçado nas estrelas e, para que não nos perdêssemos cegos pela vontade de vingança, seguíamos alguns ensinamentos de Kaylin. Pedíamos a ela a firmeza e compromisso, que a vingança não envenenasse nossas existências e que nossa busca para vingar nossos ancestrais não nos enlouquecesse.

E em um piscar de olhos, Galador havia sumido quando não precisávamos mais dele. Nunca realmente sentimos sua falta pois sabíamos que ele vivia por aí em um destes bosques, nesses 300 anos ele sempre nos acompanhou sem envelhecer um dia sequer, nos levando a crer que era um espirito da floresta, alguns dizem que viram-no se transformar em um cervo e desaparecer na floresta, outros dizem que ele criou raízes e se tornou em uma bela arvore mas algo que todos concordamos é que ele fincou raízes em nossos corações e seus ensinamentos nos seguirão até o fim de nossas vidas.

O que importa é que agora era hora de irmos para Myrthos, realizar a missão divina dos elfos e escrever nossa nova história, pois no novo continente estava a oportunidade nos dada por Kaylin para eliminar a raça Drow, estava também uma nova terra que diziam ser grande e farta, estava ali o nosso novo lar, e em breve muitos embarcariam no Falo de Eilyel.

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